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Às 20h45 de um sábado, dia 23 de novembro de 1912, em uma das salas do Consulado de Portugal no centro de São Paulo, reuniram-se cidadãos portugueses "residindo e laborando nesta Capital Estadual" para fundar a Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo.

Em 12 de novembro de 1913, Thomaz Saraiva foi eleito o primeiro presidente e, em 21 de fevereiro do ano seguinte, os estatutos da Câmara foram aprovados pelo governo português. Em 1915 assume a presidência o Sr. Manuel de Barros Loureiro, inaugurando uma época em que tornar-se-ão reais os diálogos entre autoridades estaduais e federais, permitindo uma ação cada vez mais efetiva da Câmara em todos os setores econômicos e administrativos.

Em janeiro de 1916 foi publicado o primeiro Boletim da Câmara que, pouco a pouco, assumia o papel de centro cívico da comunidade portuguesa, ampliando cada vez mais suas atividades. Ainda em 1916, instalou-se o primeiro Congresso Comercial dos Aliados - uma reunião de câmaras de comércio de diversos países instaladas no Brasil - com o intuito de fazer valer seus interesses, contrários às dificuldades apresentadas pelo conflito mundial que abalava a economia. Findo o conflito, em 1919, a Câmara iniciou uma intensa divulgação em Portugal das vantagens de investimento no Brasil, para alavancar os negócios portugueses e minimizar as perdas econômicas.

A proteção e o cuidado com os produtos portugueses importados pelo Brasil vinham sendo constantes por parte da Câmara e, em 1917, vieram à tona com o escândalo da falsificação de produtos portugueses, que tomara proporções assustadoras. Agindo de forma enérgica e eficiente, a Câmara utilizou-se de toda sua influência para apreender centenas de garrafas, rótulos, extratos e outros materiais utilizados na falsificação de vinhos e azeite. O resultado desta ação foi uma retomada na confiança dos produtos, que haviam chegado a causar medo na população, pois, claro, não tinham a qualidade dos originais!

A epidemia de gripe espanhola que assolou São Paulo, em 1918, marca um grande feito de solidariedade da comunidade portuguesa, convocada em peso pela Câmara para socorrer as vítimas, contando com veículos, médicos e enfermeiros.

Já em 1925, dentro da antiga idéia, nunca concretizada, de criar uma Escola de Cultura Portuguesa, a Câmara Portuguesa fundou a chamada Liga Propulsora da Instrução em Portugal, com o objetivo de impulsionar a educação na terra-mãe, através de donativos recolhidos na comunidade residente no Brasil. Infelizmente, o único registro dos seus resultados é um artigo publicado na Revista Portuguesa, referindo-se à construção de "5 belos edifícios escolares".

As atividades, principalmente no campo cultural, são intensas durante toda a década de 20. Já a década de 30 foi marcada por dificuldades, culminando com o Decreto Lei 383, de 18 de abril de 1938, que regularizava as atividades de associações estrangeiras no Brasil, proibindo a permanência em seus quadros de sócios brasileiros - o que causou forte queda no número de associados da Câmara e conseqüente decadência, acentuada pelos anos difíceis da II Guerra Mundial.

Em 1968, Valentim dos Santos Diniz assume a presidência, dando início a uma liderança dinâmica e eficaz, que proporcionará o impulso necessário para levar a Câmara aos tempos atuais, de acelerado desenvolvimento.

Hoje a Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil continua trabalhando pelos interesses comuns dos cidadãos luso-brasileiros, valorizando suas relações comerciais e sociais, mantendo, assim, o espírito presente desde sua fundação, há quase 95 anos.

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