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26/07/2010 23:38
O avião português que voa sem piloto

No Reino Unido, o protótipo mostra-se, pela primeira vez, e faz brilhar a comitiva portuguesa

O primeiro avião português não tripulado está a ser apresentado na feira internacional de aeronáutica Farnborough International Airshow 2010, no Reino Unido.

Mostrado pela primeira vez ao mundo, o protótipo do aparelho assume-se como o produto-estrela de uma comitiva portuguesa de cerca de 40 empresas das indústrias da aeronáutica, espacial e da defesa, que também se está a estrear naquele certame.

Com um peso máximo de 65 quilos à descolagem e uma estrutura em fibras de carbono, fibra de vidro e compósito de cortiça, o aparelho conta com uma envergadura de cinco metros, um motor 3W de 157 centímetros cúbicos e 17 cavalos, e tem uma autonomia prevista de seis horas de operação para uma carga útil de 24 quilos. Chama-se Império SP1-01 e tem o objetivo de fazer missões de vigilância marítima e de monitorizar incêndios.

"Esta plataforma de voo autónoma não tripulada pode desempenhar missões perigosas ou dispendiosas, sendo controlada através de estações de solo, que estão em fase de desenvolvimento", adianta Sérgio da Cunha Oliveira, diretor técnico do PAIC - Portuguese Consortium for the Aerospace Industry, consórcio de 14 entidades nacionais que pretende desenvolver sistemas aéreos não tripulados para aplicações civis (UAS - Unmanned Aerial System).

"Determinada missão é inserida no processador de missão, que é um computador onde se introduzem os parâmetros que definem os alvos e a área de busca. O voo é autónomo e o avião cumpre a missão como um robot, regressando à base e recebendo instruções a meio do voo", explica Sérgio da Cunha Oliveira.

A plataforma está a ser desenvolvida em colaboração com a Lockheed-Martin. Este gigante aeroespacial norte-americano transferiu tecnologia para as empresas portuguesas, que detêm toda a propriedade de desenvolvimento do aparelho.

O consórcio, liderado pela PEMAS - Associação Nacional da Indústria Aeronáutica, conta com a participação de empresas nacionais como a Active Space, Iberomoldes, DMEGI, PIEP e Spin.Work, responsáveis pela fabricação da aeronave, e Edisoft, Critical Software, Tekever, GMV, Empordef TI e Centi, que estão encarregues de desenvolver e incorporar sistemas embarcados, de comunicação, comando e controlo, gestão de missão e estações de solo.

O consórcio investirá um total de €10 milhões em cinco anos, tendo já as empresas injetado, desde o ano passado, cerca de €l,8 milhões através de fundos próprios.

"Com vista a financiar a integração de sistemas na plataforma, foi submetida uma proposta ao QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional (Projeto Mobilizador) com o objetivo de se viabilizar o desenvolvimento de sistemas inovadores e serem construídas três novas plataformas e respetivos sensores, no valor aproximado de €6 milhões", revela o diretor, adiantando que o protótipo voará pela primeira vez, em Portugal, entre o fim de agosto e o início de setembro. Só depois desta campanha de testes de verificação e validação é que serão realizados voos com instrumentação e sensores a bordo.

Quanto ao potencial de comercialização da aeronave, diz que se "estima que o segmento das plataformas aéreas não tripuladas e serviços associados para aplicações civis terá um mercado de aproximadamente 2,8 mil milhões de dólares entre 2010 e 2019, crescendo a urna taxa de 30% ao ano, o maior crescimento previsto para o setor aeronáutico por uma larga margem".

Apesar de ainda não existir legislação que permita aos veículos aéreos não tripulados voarem em espaço aéreo controlado, prevê-se que este mercado comece a abrir a partir de 2013 ou 2014 Nessa altura, "Portugal já estará posicionado na linha da frente de um clube extremamente exclusivo", salienta Sérgio da Cunha Oliveira.

Luís Florindo, administrador executivo da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), refere que foi o investimento da fabricante brasileira Embraer na construção de duas unidades de fabrico de componentes de aviões, no parque aeronáutico de Évora, que deu o mote para a participação conjunta no certame.

À boleia da AICEP

"Depois de a Embraer ter visitado 60 pequenas e médias empresas portuguesas do sector, acreditámos que poderia haver massa crítica que justificasse a existência de um pavilhão nacional na feira", explica Luís Florindo.

Com uma área de 324 metros quadrados, esta iniciativa representa um investimento de €248 mil, comparticipados em 50% pelo QREN, em 10% pela AICEP e em 40% peias empresas presentes, como a TAP Manutenção e Engenharia, OGMA, Active Space Technologies, Critical Materials, Critical Software, Edisoft, EID, Envolve Space Solutions e UA Vision.


Em jeito de primeiro balanço, já que o certame só encerra amanhã, o administrador considera que o evento tem sido produtivo para as empresas, avançando que, "ainda antes da feira, já havia dezenas de reuniões agendadas".

OS VOOS PORTUGUESES

Critical Materiais

Apresenta o PROODIA, sistema que permite monitorizar, prognosticar e diagnosticar o estado de estruturas, avaliando de forma mais precisa o seu estado de integridade estrutural. Tal permite, por exemplo, gerir de forma mais eficiente os processos de inspeção e manutenção de aeronaves de asa rígida e móvel

Amorim Cork Composites

Está presente na feira com juntas de cortiça com borracha aplicadas a motores, uma gama de produtos acústicos e térmico: destinada a ser aplicada no interior de painéis, soluções para a indústria de compósitos e em cortiça usadas no isolamento térmico de componentes sensíveis a altas temperaturas.

FiberSensing

Já contando com a Airbus come cliente, oferece soluções para automatizar a monitorização de estruturas, desde a medição com sensores à análise de resultados, baseados em tecnologia de fibra ótica e software de gestão de dados.

Associações sectoriais

Também presentes na feira estão a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a PEMA, associação nacional da indústria aeronáutica, a Danotec, associação de representação e promoção dos interesses das indústrias ligadas à Defesa, produção de armamento e novas tecnologias a Proespaço - Associação Portuguesa das Indústrias do Espaço, e a Pool-Net (Engineering and Tooling).

Outras presenças na feira

TAP Manutenção e Engenharia, OGMA, 3Marcos, Active Space Technologies, Almadesign, Caetano Components. Couro Azul. Criticai Software, Edaetech. Empordef, ESRI Portugal, Evolve, GMVIS Skysoft grupo Moldoeste, Holos, IDMEC, Incompol, INEGI, ISQ, Kristaltek. Lismolde Group, LN Moldes, Moldes RP. Olesa, Optimal. PAIC. PEMAS, Ribermold. Setsa, Spinworks, Tekever, UAVision, UEpro, Universidade da Beira Interior.

Innovating Portugal

Seminário sobre a indústria aeronáutica portuguesa, organizado na feira, com o objetivo de mostrar um país mais moderno e dinâmico ao mundo.

Fonte: AICEP


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